quarta-feira, 5 de junho de 2013

Supermercados: alimentos no final do prazo de validade

Alguns hipermercados e supermercados vendem produtos alimentares perto do fim da validade a preços mais baratos para evitar o desperdício. É preciso analisar se em poucos dias se consome o que compramos a preços tentadores.
Continente, Minipreço e Lidl vendem alimentos a preços reduzidos a poucos dias do final do prazo de validade e anunciam-no em etiquetas que se destacam.
Escoar os stocks dos produtos com validade próxima do final de forma rápida através da redução de preços: esta é a estratégia adotada pela maioria dos 20 hipermercados e supermercados de Lisboa e Porto que a DECO Proteste visitou em março último. É uma forma de os estabelecimentos eliminarem o desperdício, mas transfere a responsabilidade de consumo, dentro do prazo, para o consumidor. A redução de preço de 25% a 50% face ao preço normal e a oferta de quantidade suplementar do produto, sem variação do preço, através da promoção “leve 2, pague 1” são as modalidades mais frequentes. 

A identificação deste tipo de descontos varia consoante a loja. Na maioria dos casos, estes produtos apresentam uma etiqueta de cor forte, onde consta o preço promocional e as expressões “Aproximação fim do prazo validade”, “Produto com prazo de validade curto” ou “Por aproximação da data de validade”. O número de dias que decorre entre o momento da venda a preço promocional e o prazo limite de consumo varia consoante a categoria do produto e a loja. Por exemplo, nos produtos de charcutaria e saladas a colocação da etiqueta promocional ocorre dois dias antes do fim do prazo. Já no caso dos iogurtes e bolos, a etiqueta é colocada até 6 dias antes do fim do prazo de validade dos produtos. 

A colocação das etiquetas de cor forte permite diferenciar estes produtos e alertar o consumidor para o facto de que está a comprar um produto para consumo quase imediato.

Reduzir os alimentos no lixo: doar e vender a menor preço 

Em Portugal, cerca de 30% do desperdício alimentar é originado nos supermercados. Anualmente, cerca de 298 mil toneladas de alimentos têm como destino o contentor do lixo, aponta o estudo Do campo ao garfo – desperdício alimentar em Portugal, divulgado recentemente pelo Projeto de Estudo e Reflexão sobre Desperdício Alimentar (PERDA), desenvolvido pelo Centro de Estudos e Estratégias para a Sustentabilidade. 


Devido à dificuldade em gerir os produtos armazenados, os alimentos perecíveis criam as maiores perdas. Neste processo, há a considerar a gestão dos prazos de validade e o stock de produtos frescos do dia. Mau manuseamento ou acondicionamento e falhas de refrigeração podem também provocar estas perdas. 



A preocupação com o desperdício tem-se acentuado nos últimos tempos. Algumas incitativas das cadeias de distribuição tentam reduzir a quantidade de alimentos desaproveitados. A doação de alimentos a entidades de apoio social ou para consumo animal é frequente. Porém, outras iniciativas, como ações promocionais de alimentos com prazos de validade próximos do fim, têm sido levadas a cabo. Cada cadeia de supermercados recorre à sua própria estratégia de promoção. 



Poupar e consumir dentro do prazo 



O consumidor pode ser tentado a comprar um produto mais barato. Contudo, antes de comprar, deve ponderar se vai conseguir consumi-lo dentro do prazo de validade indicado. Caso não o faça, estará a desperdiçar dinheiro e alimentos. O alimento que não foi desperdiçado no estabelecimento de venda, será desperdiçado pelo consumidor, contrariando o objetivo da iniciativa. 


Em suma, apesar destas ações serem bem-intencionadas, visando reduzir o desperdício dos produtos alimentares nas cadeias de distribuição, só uma atitude de compra, refletida e racional é que traduzirá o benefício desta iniciativa. Uma boa gestão das necessidades familiares, através de uma lista de compras, constitui a melhor ferramenta de poupança. 
(fonte: DECO Proteste)
Postado por: Sónia Domingos Pedro